Ufal e Sociedade 271 - Especial Mulher: Quem é Maria Aparecida Oliveira?

A filósofa e educadora Maria Aparecida Batista de Oliveira, recém-condecorada com o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade Federal de Alagoas, fala sobre sua história de militância, educação e defesa dos direitos das mulheres e da população negra.

Ufal e Sociedade 271 - Especial Mulher: Quem é Maria Aparecida Oliveira?

No episódio especial dedicado ao mês da mulher, o programa Ufal e Sociedade, da Rádio Ufal, recebe a filósofa e educadora Maria Aparecida Batista de Oliveira, uma das principais referências em Alagoas na luta por direitos humanos, igualdade racial e direitos das mulheres. Recém-condecorada com o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), a professora compartilha, na entrevista, momentos marcantes de sua trajetória na educação, na militância social e na construção de políticas voltadas para justiça social.

Natural de União dos Palmares, Maria Aparecida relembra que sua relação com a educação começou ainda muito cedo. Aos 13 anos, ajudava a tia em uma escola do interior como auxiliar de alfabetização e, poucos anos depois, iniciou oficialmente sua atuação como professora na rede pública. A vocação pela docência se consolidou rapidamente e a levou a ingressar no curso de Filosofia, área que escolheu motivada pelo desejo de compreender melhor a sociedade e suas desigualdades.

Durante a conversa, a professora fala sobre a influência de importantes pensadores em sua formação, especialmente do educador Paulo Freire, cuja obra marcou profundamente sua visão sobre educação crítica e emancipadora. Para ela, educar sempre significou também estimular a reflexão, a consciência social e a participação política dos estudantes na transformação da realidade.

Ao longo de sua carreira na Universidade Federal de Alagoas, onde ficou carinhosamente conhecida como professora Cida, desenvolveu atividades de ensino, pesquisa e extensão voltadas principalmente para os debates sobre raça, gênero, diversidade sexual e direitos humanos. Sua atuação contribuiu para ampliar essas discussões dentro da universidade e fortalecer a formação crítica de diversas gerações de estudantes.

Além da trajetória acadêmica, Maria Aparecida também teve forte participação em movimentos sociais e em espaços institucionais de defesa dos direitos das mulheres. Entre essas experiências, destaca sua atuação no Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Mulher, onde chegou a exercer a presidência. No episódio, ela relembra os desafios enfrentados por mulheres que se declaravam feministas em décadas passadas e como a militância era frequentemente alvo de preconceito e hostilidade.

A entrevista também aborda o racismo estrutural e seus impactos na vida da população negra, especialmente em áreas como saúde, educação e acesso a direitos básicos. A professora destaca que muitas desigualdades ainda persistem, mas ressalta a importância das conquistas alcançadas por meio da mobilização dos movimentos sociais, que abriram caminhos para a construção de políticas públicas voltadas para a promoção da igualdade.

Em um dos momentos mais emocionantes da conversa, Maria Aparecida comenta as transformações que presenciou ao longo das últimas décadas na universidade brasileira, sobretudo com a ampliação do acesso de estudantes negros ao ensino superior. Para ela, ver a universidade mais diversa e representativa é uma das evidências de que as lutas coletivas têm produzido resultados importantes.

Ao final da entrevista, a professora reflete sobre o significado de receber o título de Doutora Honoris Causa da Ufal, uma das maiores honrarias concedidas pela instituição. Para ela, o reconhecimento representa não apenas uma celebração de sua trajetória, mas também um incentivo para continuar defendendo a construção de uma sociedade mais justa, democrática e igualitária.

Ficha técnica do programa Ufal e Sociedade

Operador de áudio: Helder Melo
Direção técnica: Edilberto Sandes (Brother)
Locução: Lenilda Luna
Produção: Cecília Calado