Ufal e Sociedade 262 - Pesquisa sobre abandono na infância

Cícero Santos, secretário-executivo da Pró-reitoria Estudantil (Proest), apresenta os principais resultados de sua pesquisa de doutorado sobre o abandono na infância e seus impactos nos percursos educacionais de pessoas que viveram em instituições de acolhimento.

Ufal e Sociedade 262 - Pesquisa sobre abandono na infância

Graduado em Letras pela Universidade Estadual de Alagoas (Uneal), mestre e doutor em Ciências da Educação pela Universidade do Porto, em Portugal, Cícero explica como sua trajetória pessoal, marcada pelo abandono familiar, pela vivência nas ruas e pela institucionalização ainda na infância, tornou-se também objeto de investigação acadêmica. A pesquisa adota a metodologia das narrativas e histórias de vida, valorizando a memória, o lugar de fala e as experiências individuais como fontes legítimas de produção do conhecimento científico.

O estudo tem como campo empírico a Fundação de Amparo ao Menor (Fundanor), localizada em Palmeira dos Índios, instituição onde o pesquisador viveu parte da infância. A partir de entrevistas com ex-moradores e antigos dirigentes, a pesquisa buscou compreender de que maneira a passagem pela instituição influenciou trajetórias escolares, escolhas profissionais e processos de inserção social na vida adulta.

Durante a entrevista, Cícero discute como a institucionalização infantil pode gerar marcas profundas, mas também destaca a educação como elemento central na construção de novas possibilidades de vida. Ele ressalta que o acesso à escola, à universidade e a políticas de permanência estudantil foi determinante para a sua própria formação, evidenciando o papel da universidade pública como espaço de acolhimento, inclusão e transformação social.

O episódio também aborda questões estruturais relacionadas às políticas públicas voltadas à infância e adolescência, problematizando os limites do acolhimento institucional e a necessidade de ações que garantam direitos básicos, acompanhamento pedagógico e suporte emocional a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social.

Ao longo da conversa, o pesquisador reflete ainda sobre os desafios éticos e metodológicos de estudar a própria história, a relação entre memória e ciência, e o potencial das narrativas autobiográficas como ferramenta para compreender desigualdades históricas e sociais. Para Cícero, dar visibilidade a essas histórias é uma forma de romper silêncios e contribuir para a construção de políticas mais sensíveis às realidades vividas por crianças institucionalizadas.