Abraçando a Serra: Mulheres de Axé ocupam o Quilombo dos Palmares em ato de resistência e memória
A vice-reitora Eliane Cavalcanti, organizadora do ato, fala da importância simbólica da presença das mulheres na Serra da Barriga
O solo sagrado da Serra da Barriga, berço da resistência negra no Brasil, foi palco na manhã da última sexta-feira (6) de um encontro histórico. Sob o título “Abraçando a Serra: Mulheres, Memória e Axé”, cerca de 130 lideranças religiosas, representantes de movimentos sociais e acadêmicos se reuniram para celebrar a ancestralidade feminina e clamar por direitos, antecipando as celebrações do Dia Internacional da Mulher.
O evento foi uma realização da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), sob coordenação da vice-reitora Eliane Cavalcanti, em parceria com a Secretaria de Estado da Mulher (Semu), a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a Prefeitura de União dos Palmares e lideranças dos terreiros locais.
Para a vice-reitora Eliane Cavalcanti, o ato vai além da celebração, representa um movimento político e identitário. "É o momento de nós, mulheres, mostrarmos o nosso poder, a nossa resistência e a nossa fé. Não haveria espaço melhor do que a Serra da Barriga para nos 'aquilombarmos' novamente", afirmou.
A professora destacou o papel institucional da Ufal na preservação do território, lembrando que a universidade atua desde a década de 1980 em pesquisas que fundamentaram o tombamento da Serra como patrimônio histórico. "Mas não é só um resgate do passado, é uma afirmação da nossa existência agora. Lutamos para ter respeito e valor, contra o silenciamento e o apagamento que Alagoas, por vezes, tenta impor à nossa história", pontuou a vice-reitora.